You and both♥

Porque eu sou fiel aos meus sentimentos. Vou estar com você quando eu realmente quiser estar. Vou te ligar quando eu quiser falar com você. Porque eu não passo vontade. E nem vou passar vontade de você. Não vou fazer joguinho. Eu me entrego mesmo. Assim. Na lata. ♥ you and i both You hold me in your hands, you won't let me fall, you steal my heart

O meu corpo vai com o dele onde tem de ir. Inevitabilidade dos sabores que existem mesmo antes de ser; existem na memória de todas as outras vezes. Em cada movimento, no toque, na língua, no olhar; tudo em cada vir. Expressão violenta desse absoluto sentir. Hoje tão forte como amanhã. E todos os dias em que assim me sorri; por entre o sono e o atrevimento, numa assertividade sensual.
Nos corpos que se amam há uma linha de baixo invisível; subliminar, como tudo o que importa pode ser. Mas, perfeitamente, audível. Estrutura de uma ligação que, mesmo impossível, existe. Comandada por uma ideia de desejo. Pode ser uma qualquer. O início é tão importante como o fim. Chegar. Chegar ao ponto ínfimo e intimo onde o prazer se esconde; se guarda para se poder dar. Infinito.
Belo é este amor que lhe tenho.

" O sentimento especial é um
sacana de um interesseiro, que empresta a especialidade
com mais condições do que um crédito pessoal:
és especial, serás sempre especial, unicamente especial,
mas não dá para passar disso mesmo: de um pedestal
especial. Ora porra para o especial. Especiais
são os pregos: esses sim – especiais da casa e prontos
a servir.”

Há histórias que já vêm contadas antes o serem. Sonhei-te assim, cabelo de ondas e olhos de mar. Assim me chegaste, já homem, tão depressa meu. Embriagámo-nos cedo na vida; nos fardos, fados, alegrias e multidões. Fomos mais nós, menos tu menos eu. Como todos. E o tempo correu. Amei-te assim, à minha maneira, como só eu sei amar. Amaste-me assim, tão bêbado de amor. Foram cardos, foram prosas, poemas e rosas, dizia a Manuela - e eu sem saber. Os meninos, os bolsos para encher, a casa por fazer, a rota, a vida, os cardos, as rosas…Um dia tropecei, lembras-te? Foi tão grande o tropeço que acordei. Então, e eu? E tu lá estavas pronto para me segurar. Então, e tu? Mas a vida correu. Os meninos, os bolsos, as casas, os cardos, as rosas…Voltei a tropeçar. Agarrei-te e caímos os dois. Lembras-te? Agora não há como levantar, disse-te. Casa, meninos ou bolsos por encher. Quero lá saber. Não somos mais nós. Sou eu. Somente eu. Sem ser. Foste tu. Sem saberes ser. O tempo correu. Tão pouco que correu. Corremos nós, um para o outro, esganados de fome. Um do outro. Lembras-te, não te lembras? Gostaste-me ainda mais, gostei-te como nunca te tinha gostado. À minha maneira. Sem metades, sem pouco, balizas ou pára-ventos. O tempo correu… Não sou tua. Não serás meu. Não porque o queira, mas há histórias que já vêm contadas antes de o serem. Sejamos amantes leais. Amo-te, lembras-te?

Querido diário:
Hoje fiquei de castigo. Não por que me tenha portado mal. Os adultos é que são uma seca. É impossível cumprir tantas regras e não tropeçar em nenhuma.
“Não comas com as mãos. Não saltes na cama. Não lambas o prato. Não dispas a roupa. Não apanhes chuva. Não te lambuzes. Não entres nas poças. Não comas mais doces. Não cantes à mesa. Não faças barulho. Não dormes comigo! Não fales com estranhos. Não roas as unhas. Não te distraias. Não chupes os dedos. Não sorvas a sopa. Não baloices nas cortinas. Não montes no cão. Não cuspas para o chão.”
Não consigo! É impossível cumprir tudo. Qual é a piada de comer sem esconder minas de bife por baixo do puré? Ou de não aproveitar a chuva para lutar na lama? Para que serve a neve senão para desenhar anjos de costas no chão? Ou a cama senão para fazer saltos mortais e aprender a voar? E para quê o banho senão para guerras de água? Ou a louça para criar prédios em suspensão? E toda a gente sabe que não há melhor cavalo do que o cão.
Eu sabia lá que aquilo se ia partir tudo. Estava apenas a fazer construções em altura. Só que com copos, em vez de legos. A culpa foi da mãe. Ela entrou de repente e assustou a torre. Já estava tão alta. Claro que os copos não se lembraram que eram de vidro e correram todos a esconderem-se debaixo da mesa. Faltou juízo, sobraram cacos. Mas a culpa não é minha.
Agora estou de castigo. “Vai para o teu quarto pensar no que fizeste”, diz a mãe. E eu vou. E penso. Para a próxima aviso os copos que não podem saltar para o chão. Ou então experimento com taças de gelado. Uma vez vi isso na televisão: uma pirâmide de taças de gelado. De certeza que consigo chegar ao tecto.
E agora vou dormir, querido diário. Acho que já pensei o suficiente. Acabou-se o castigo. Até amanhã

Não haverá borboletas se a vida não passar por longas e silenciosas metamorfoses.


E nosso amor, que brotou
do tempo, não tem idade,
pois só quem ama
escutou o apelo da eternidade.

Todas as almas têm um lado inferior voltado para o corpo e um lado superior voltado para a inteligência.

Posso perder o emprego mas não posso perder o momento,
e desta vez ele ouviu, ela disse-o alto e ele ouviu, virou-se, sorriu, aproximou-se dela, só quem nunca amou pode afirmar que o tempo não pára,
Tinha medo que não viesses,
e nenhum dos dois chamou àquilo um beijo mesmo que os lábios se tivessem juntado e as línguas e essas coisas todas, chamaram-lhe sempre “aquilo”, nunca explicaram porquê, eventualmente porque não encontraram denominação melhor, ou apenas porque o contrário “disto” é “aquilo”, e se o amor não é o que nos tira disto para aquilo então pode muito bem não prestar para nada.

Escrevi o teu nome em todos os lugares,
procurei-te sem fim nos dias mais incertos,
tive sede de ti na solidão dos bares
e fome do teu corpo em todos os desertos.

Fui soldado e lutei em busca do teu rosto,
que vi impresso a fogo em todas as esquinas.
Deixei que me queimasse a dor do sol de Agosto
e mergulhei sem medo em plagas submarinas.

Para te ter venci as longas avenidas
de todas as cidades que ninguém ousou.
E por ti viverei largos anos de vida
na ânsia de te dar tudo o que tenho e sou.

Não sou mulher de meio copo. Se não está cheio: não o quero. Se não está cheio: nem sequer é um copo. Prefiro não beber do que beber apenas o possível. O possível que se dane. O possível é demasiado fácil para me arrebatar. 

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